Hoje quero falar de perdas, não materiais.  Quero falar de situações que nos ensinam mais do que qualquer escola, do que qualquer professor. Quero falar das situações  que nos colocam em nossos devidos lugares, que nos fazem entender que nessa engrenagem somos um parafuso muito pequeno e que é preciso muitas peças para mover a maquina  da vida.

Mês passado um grande amigo partiu dessa vida, para onde não sei,  eu mal havia me recuperado da perda da mãe de uma grande amiga – que era como uma tia pra mim. Mas o que fazer diante dessas situações se não aceita-las. Aceitar que apesar de aquele dia em especial parecer surreal, aceitar que apesar de parecer que estamos dormentes e de desejarmos que o mundo pare para ouvir nosso choro e conhecer nossa dor, o fato é que nada muda e a vida segue, as pessoas contianuam saindo, bebendo, trabalhando, andando de bicicleta…Eu mesma fiz negócios nesse dia. Então como definir a vida? Outro dia vi um livro intitulado: Seja dono da sua vida”" e me perguntei: Será mesmo possível sermos donos de nossas vidas? Como? Se não temos controle sobre ela?

Mas logo em seguida me lembrei da maneira digna que essas duas pessoas boníssimas passaram seus últimos dias. Lembrei inclusive que quando visitei a mãe dessa amiga nos seus últimos dias, me chamou a atenção suas unhas dos pés pintadas de vermelho, para alguém que estava morrendo precisava estar com as unhas pintadas? E como que lendo meus pensamentos minha amiga me respondeu: pintamos porque é assim que ela gosta. Também o banho em suas últimas horas de vida me chamou a atenção, afinal o corpo já estava fadado a apodrecer. Mas ali ficou muito claro pra mim, somos sim donos de nossas vidas e é na morte que descobrimos o tipo de pessoas que somos, não em vida.

Assim foi com o meu amigo também, que até o último minuto não só foi  bem cuidado, como teve todos os desejos atendidos, até o fim. Então, concluí que de fato só não somos donos de nosso patrimonio material - que no dia seguinte já está sendo dividido – e até mesmo antes de partirmos já está sendo desejado. Mas de nosso carater, de nossa honra..ah…isso ninguém nos tira. O  conjunto de nossas ações durante nossa jornada na terra é o que nos define.

Em resumo: Concluí que só perdemos o que de fato não temos, porque o que nos pertence não morre conosco.

Nem sei por onde começar tenho tanto pra falar, mas tenho medo, aliás, medo não, mas sei que muitos não vão gostar do que vou dizer, que posso ser  rechaçada, paciência, vivemos numa democracia e preciso desabafar, ando a ponto de explodir.

Por onde começar… Hum… Bom, vou falar da internet e redes sociais, caberia para esse assunto cantar aquela música, aquela… ”nossa, nossa, assim você me mata”, não sei se vocês conhecem, eu não tiro da cabeça e por pior que pareça é assim que me sinto, como se a qualquer momento minha cabeça não fosse suportar mais tanta baboseira. É de matar mesmo! Demorei muito pra me render à rede, passou anos até que alguém me perguntasse: você tem …kut, f…book? E eu respondesse: SIM. Confesso que muitas vezes me sentia um E.T e em todas era tratada como o próprio, mas hoje sinto falta de estar alienada, de não fazer parte da “rede”; a merda é que depois que você entra, não consegue sair, talvez não sejam apenas os usuários de drogas da “cracolândia” que precisem de ajuda, daqui algum tempo acredito que será necessário a criação de centros especializados no tratamento de pessoas viciadas em internet, em besteirol…. Mas como eu estava contanto, demorei muito para me conectar a essa nova modalidade de relacionamento entre humanos e o fato é que a cada dia que passo conectada me preocupo mais e mais. Parece que as pessoas estão todas numa corrida para mostrar quem é melhor, quem tem mais, quem é mais fútil… E o pior, eu sei que no meio disso tudo tem pessoas interessantíssimas, talvez só um tratamento de choque de conta. Falo isso por experiência própria. Quando acessei pelas primeiras vezes um desses sites passei a “curtir” tudo que escreviam, é como se um dispositivo tivesse sido acionado no meu cérebro:

 Bolo de laranja da vovó. Status ”curtir” .Quase morri procurando o vestido para a festa. Status ”curtir”. Comidinha do meu maridinho. Status ”curtir” .Meu filho é o mais lindo, sem ele não viveria. Status ”curtir”.  Pernas para o ar na beira da piscina. Status ”curtir”. Feliz com meus cílios postiços. Status ”curtir” .

PARA, não faz sentido algum, as pessoas usam esses meios de comunicação mais para se exibir e matar tempo do que para se relacionar de fato, porque a quem interessa saber se sua unha quebrou, se você vai arrumar seu quarto, se ganhou um carro! Ha quem ainda escreva, quero dividir com vocês minha felicidade: ganhei um carro, fiz uma viagem, comprei duas bolsas VH…quer dividir é, então me da uma das bolsas, me leva com você na viagem, deixa eu usar seu carro três vezes na semana!! Vivemos uma competição frenética e desleal, afinal, sempre alguém terá mais do que nós e embora eu saiba que muitos vão negar e me repudiar, eu sei que no fundo, mesmo não admitindo, todos sabemos que fazemos parte disso e parte de nossas frustrações tem mais a ver com o fato de não termos fotos de viagens para mostrar do que propriamente por não ter viajado, por não termos fotos de um apto de 500m2 do que por não morar em um. Temos que ser mais verdadeiros, nos despir das máscaras, estamos todos siliconados, disfarçados de pessoas felizes e bem sucedidas. Mas por trás de tudo isso, sentimos insegurança, medo, carência e solidão,  principalmente solidão. Dos “amigos”que você tem adicionado, quantos de fato são seus amigos? Com quantos deles você já se encontrou após os terem adicionados?

Calma, também não quero generalizar, não quero me colocar fora disso, nem quero dizer que se conectar seja de todo ruim, mas gostaria de menos futilidade, de menos exibicionismo, de menos vazio em telas tão cheias!!

Um abraço a todos os internautas!!!

MRS

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